Dia dos pais: mais que uma data comercial

Neste domingo, a maioria das famílias brasileiras se reúne para o almoço de Dia dos Pais. E, ao contrário do que muitos pensam, a origem da data não é puramente comercial e surgiu realmente com o intuito de homenagear o genitor.

Em 1909, nos Estados Unidos, uma garota resolveu criar a data para homenagear o seu pai, a quem ela tinha orgulho pela história da superação: ao ficar viúvo ele cuidou dela e de seus irmãos, sozinho, sendo sempre carinhoso e responsável, o que motivou a filha. A data foi oficializada apenas em 1972 pelo presidente americano Richard Nixon e se tornou uma festa nacional. Já no Brasil, a data é festejada desde 1953, quando o publicitário Sylvio Bhering importou a ideia.

Dia dos PaisIndependente da história, não há como negar que a figura paterna tem um papel importante na formação de uma pessoa. De acordo com o psicólogo do Hapvida Saúde, André Isaac Assunção, assim como a figura materna, o pai é parte integrante do universo de significados do sujeito em formação. A criança, ao se desenvolver, busca referencial nesses pais (ou figuras substitutas). “Geralmente, o pai é aquele que vai instituir a lei, os limites, a autoridade para essa criança. Pois, culturalmente, a mãe é a figura de amorosidade e primeiros cuidados ao filho. A diferença não está só na aparência física, mas pela forma de tratamento, de aproximação, de cuidados, de afetividade e os sentimentos que esse adulto possa transmitir para a criança”, explica.

Ainda segundo o psicólogo, também mestrando em Psicologia, Sociedade e Saúde, pela Universidade Federal do Pará, existem estudos sobre o desenvolvimento infantil que apontam um grande percentual de pais (homens) que não carregam seus filhos nos primeiros meses de vida. A justificativa desses pais está na falta de manejo com o bebê. Porém, esses estudos apontam que a falta de proximidade e cuidado com a criança nos primeiros meses de vida pode gerar sentimentos de rejeição da criança pela figura do pai.

André Isaac também esclarece que não há comprovação de que a ausência de uma das figuras parentais (pai ou mãe) possa causar problemas na formação emocional de crianças nos primeiros anos de vida, mas estudos de Jonh Bowlby (1979-2006) apontam que a aproximação com a criança no início da vida é importante, pois gera sentimentos de segurança, zelo, empatia, apego e outros que se tornam importante para a formação de vínculos afetivos no começo da vida e posteriormente serão base para a nossa constituição adulta.

“Vale ressaltar que as crianças necessitam desse cuidado, amor e afeto nos primeiros anos de vida para oportunizar a construção de sentimentos importantes para uma boa formação psicológica. Caso esse afeto não se constitua na relação com a criança ainda na infância, futuramente poderá haver dificuldades de relacionamento por parte desse filho, seja na escola, na adolescência ou na vida adulta. Entretanto, isso não se apresenta como uma regra. Mas é um ponto chave para sentenciar melhor a relação entre pais e filhos”, explica o psicólogo.

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